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Em dois anos, abertura de novos cursos de Medicina em MS ocorreu só por decisões judiciais

Em dois anos, abertura de novos cursos de Medicina em MS ocorreu só por decisões judiciais

Estudante do curso de Medicina. (Foto: Divulgação)

O processo para a abertura de cursos de Medicina em Mato Grosso do Sul tem ocorrido por meio do Judiciário, e não apenas por critérios técnicos. Nos últimos dois anos, a ampliação de vagas no Estado não seguiu o fluxo comum dos editais do MEC (Ministério da Educação). Na prática, todas as solicitações que tramitaram na pasta entre 2024 e 2025 foram decididas pelo Poder Judiciário.

De acordo com dados oficiais obtidos via MEC, o balanço desse período indica que quatro pedidos foram realizados sob força de liminar. Desses registros, dois foram deferidos judicialmente, um foi indeferido e outro permanece sob análise. Conforme o levantamento realizado, instituições como a Escola de Ciências da Saúde Anhanguera e a Faculdade de Medicina de Dourados avançaram nos processos por meio dessas decisões.

No entanto, o deferimento jurídico não significa o início imediato das aulas, uma vez que as exigências técnicas do âmbito federal ainda impedem o funcionamento dessas unidades. Segundo o MEC, para que um curso obtenha a autorização final após a liminar, é necessário cumprir critérios sociais e de estrutura específicos.

A exigência estabelece que a instituição deve garantir cinco leitos do SUS para cada vaga solicitada e manter parceria com hospitais que possuam no mínimo 80 leitos.

A equipe de reportagem entrou em contato com o CRM-MS (Conselho Regional de Medicina) e com o CFM (Conselho Federal de Medicina) para que comentassem o avanço das autorizações via judicial, além dos impactos na qualidade da formação acadêmica. Até o momento, não houve resposta de ambas as entidades, e o espaço segue aberto para manifestação.

Atualmente, Mato Grosso do Sul possui cinco cursos de Medicina em atividade. Nas últimas semanas, foi divulgado o resultado do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), em que apenas três cursos alcançaram nota igual ou superior a 4, valor considerado bom. Em contraste, as outras duas ficaram com pontuação 2, o que é motivo de alerta para as instituições.

Já sobre os cursos que tramitam na Justiça, as autorizações definitivas dependem da comprovação técnica de que as instituições podem oferecer o suporte necessário aos alunos.

Midiamax Evelyn Mendes

 

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